Comunidades são comunidades. Favelas são favelas e ponto final. Não espere muito das ações militares contra o tráfico de drogas, mas sim do avanço do domínio desse segundo Estado sobre a vida de todos.

Acredito que estamos torcendo pelo time errado e de forma equivocada. De longe, as pessoas que assistem pela TV as invasões de favelas no Rio, não têm noção do que é viver dentro de um sistema próprio. Lá onde o galo canta cedo, trabalhadores transitam por estreitas vielas, no convívio diário com os soldados do tráfico. Estes que um dia brincavam às portas alheias, de polícia e ladrão.

Sei que é muito romântico pensar assim, que um dia um garotinho tinha tudo para ser alguem na vida e que por causa do meio, tornou-se uma ameaça à sociedade. À sociedade de “fora”, lógico. Porque dentro deste complexo armado, um soldado do tráfico dá de comer à alguém. Não estou de forma nenhuma, revelando os fatos. Isto é de domínio geral.

Onde houver uma semente crescendo em meio as adversidades, haverá um futuro Fernandinho Beira Mar. Pouco se tem notícia de Pixotes bem sucedidos. Nem do próprio.

O Estado brasileiro não cuida do seu povo. Jamais teve iniciativa que de fato criasse oportunidade para todos. É duro de admitir que eu mesmo dou as costas para essas situações, sendo alienado e covarde. É muito mais fácil culpar as autoridades pela sua omissão do que ter uma iniciativa que faça a diferença.

É muito mais fácil aliás, mandar tanques blindados e soldados bem treinados para o combate, resultando em vítimas inocentes inclusive, do que buscar uma saída mais humana e inteligente.

Inteligência é ter imaginação. É buscar possibilidades e acreditar que o mundo pode ser diferente. Lutar e insistir na fiscalização do homem que representa o homem.

Enquanto a luz não vem, admiremos ao show pirotécnico enquanto os corpos caem.

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One Reply to “Ataques contidos”

  1. Pois bem. Esse seu texto me fez refletir e buscar nas entrelinhas do jornalismo o verdadeiro aspecto desse “show pirotécnico” – como você o definiu de modo bem apropriado -.
    O que a população vê e percebe é que finalmente a autoridade do Estado se impôs e mostrou sua superioridade bélica e tática diante do crime “desorganizado” das favelas cariocas.
    O que realmente acontece é que a notoriedade e popularidade conquistadas pelo BOPE graças aos recentes filmes lhe deram a “moral” necessária para essa tomada de atitude – com o indispensável apoio das forças armadas – que resultou na tomada do complexo do Alemão.
    Muitos inocentes estão passando por experiências terríveis, mas também muitos bandidos estão sendo colocados no devido lugar (só espero que lá permaneçam), esse é o preço da guerra.
    Não deixo de sentir por dentro um sentimento de “alma lavada”, de reconquista de um território há muito tempo perdido e abandonado.
    Tudo bem, aquela bandeira hasteada no topo do morro foi a cerejinha do bolo – bem ao estilo RAMBO – mas é inegável o empenho dos envolvidos para o sucesso da operação, assim como o apoio da comunidade. E vejo que grande parte dessa coragem vem do alarde da dura realidade muito bem retratada pelo diretor José Padilha ao qual parabenizo e atribuo parte dessa tomada de consciência por parte do povo.
    Ainda não consigo enxergar se a operação foi ralmente um sucesso – como a imprensa quer que acreditemos – ou apenas uma ação de marketing em prol das futuras olimpiadas e copa do mundo.
    Espero, pelo bem dos cariocas e da imagem do Brasil, que seja tudo verdade…

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